Servidora aprovada em concurso aos 60 anos encerra trajetória no TJDFT
por TT —

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publicado 01/10/2026
Aos 60 anos e empresária do comércio, Sandra Maria Viana Cardoso tinha uma vontade antiga: trabalhar no serviço público. No entanto, transformar esse desejo em realidade exigiria voltar aos livros, enfrentar conteúdos que desconhecia e disputar uma vaga em um concurso. Sandra decidiu tentar. “Eu tinha uma empresa de comércio, mas sempre quis mudar para o serviço público. Aí comecei a estudar e passei”. Sandra comprou livros e encarou matérias que, no começo, pareciam quase indecifráveis, como o regimento interno do Tribunal. “Eu estudei sozinha e fiz curso do regimento interno, porque eu não entendia nada, eu lia, lia, não entendia nada”, afirma. Em 2012, aos 60 anos, Sandra conquistou a sonhada vaga no cargo de técnica judiciária do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT). Em setembro deste ano, aos 75, encerrou sua trajetória profissional em razão da aposentadoria compulsória. Mas, se dependesse de sua vontade, ela continuaria trabalhando. “Se eu pudesse, ficaria mais”. Por trás de cada processo, uma vida A aprovação no concurso era apenas o primeiro passo. Sandra tinha outro desejo: trabalhar na Vara da Infância e da Juventude (VIJ) do DF. Inicialmente lotada na área de família, esperou pela oportunidade de mudar de unidade. Quando conseguiu, encontrou no trabalho uma dimensão para além dos processos. “Por mais que você esteja mexendo com o processo, por trás de cada processo tem uma criança”. Para ela, cada documento na tela representava uma história que continuaria depois de encerrado o processo judicial. “Não é apenas um processo de litígio. São crianças que a gente vai devolver para a sociedade. Nós, toda a rede, vamos devolver essas crianças para a sociedade. Então, acho que a nossa responsabilidade é muito grande”. Foi nesse trabalho que ela passou boa parte dos últimos anos de sua carreira profissional. E, enquanto ajudava a cuidar de processos que envolviam a vida de outras pessoas, Sandra também encarava as transformações tecnológicas do ambiente de trabalho. Aprender e compartilhar Quando Sandra chegou ao TJDFT, aos 60 anos, o Judiciário era diferente daquele do qual ela se despediu aos 75. Vieram os processos eletrônicos, as novas ferramentas de comunicação, o teletrabalho e Sandra, assim como os outros servidores, precisaram se adaptar às transformações. A colega Daniela Albuquerque acompanhou essas mudanças ao lado de Sandra. “Ela foi se adaptando dos processos físicos para os processos eletrônicos. A gente falava no WhatsApp, de repente todo mundo começou a usar o Teams", relembra. Daniela destaca que as mudanças também produziram trocas de conhecimento entre os colegas. Ela recorda, com bom humor, de quando percebeu que Sandra dominava no Teams recurso que ela própria, mais jovem, ainda não sabia utilizar. “Eu falei: ‘Gente, como que a Sandra fez isso? Eu não sabia mexer e colocar os textos em negrito’. E lá estava a Sandra colocando os negócios em negrito”. A situação simples ilustra uma característica dos ambientes intergeracionais: pessoas com diferentes trajetórias, idades e experiências podem aprender umas com as outras. “Ela se adaptou a tudo e sempre performou super bem”, resume Daniela. Uma carreira feita de diferentes ciclos Celebrado em 1º de outubro, o Dia do Idoso convida a refletir não apenas sobre proteção e direitos, mas também sobre autonomia, participação social e as diferentes formas de viver o envelhecimento. A trajetória de Sandra acrescenta uma perspectiva a essa reflexão: carreiras não seguem necessariamente um único roteiro nem precisam estar associadas a etapas predeterminadas pela idade. Aos 60 anos, ela ingressou no serviço público trazendo experiências construídas em sua trajetória e, ao mesmo tempo, passou a desenvolver novos conhecimentos e competências. Ao longo dos 14 anos no TJDFT, acompanhou as mudanças na Justiça, na tecnologia e nas formas de trabalhar e mudou junto com elas. Para a diretora da 1ª Vara da Infância e da Juventude do DF (1ª VIJ), Ana Lídia Brandão Sodré, os quatro meses de convivência profissional com a servidora foram suficientes para perceber algumas das características que marcaram a passagem dela pela unidade. “A Sandra é maravilhosa. Comprometida, o processo dela é muito bem-feito. Ela é muito querida, uma pessoa muito simpática, muito acessível, sempre disponível”. Por isso, a despedida vem acompanhada da sensação de perda para quem fica. “É uma pena que ela esteja saindo. Vai fazer falta para a equipe.” “Foi um privilégio” Depois de uma vida profissional que ganhou um novo capítulo aos 60 anos, Sandra chega aos 75 diante de outra mudança. Desta vez, não há prova para estudar e nem concurso para enfrentar, mas uma aposentadoria determinada pela idade e coisas novas para viver. Quando olha para os anos que passou no Tribunal, a palavra que escolhe não é despedida, mas privilégio. “Eu acho que a gente aprende muito. É um privilégio trabalhar aqui e ver o outro lado”, ressalta. E, quando perguntada se encerra a carreira com a sensação de missão cumprida, não hesita: “É de missão cumprida, sim”, declara a mulher que mostrou que sempre é tempo para recomeçar. Agora, Sandra aproveita a aposentadoria ao lado dos netos. Ela afirma que se preparou para este momento por meio do Programa de Preparação à Aposentadoria de Magistrados e Servidores do TJDFT, o AposentAÇÃO. Criado pela Portaria GPR 1497/ 2024, a iniciativa é destinada ao suporte no período de transição que antecede a aposentadoria. Para isso, é utilizada abordagem multidisciplinar que promove a conscientização, avaliação e planejamento do novo ciclo de vida. A servidora foi parabenizada pessoalmente pelo presidente do TJDFT, desembargador Jair Soares, durante visita ao Fórum da Infância e da Juventude do DF, realizada em 20 de agosto de 2026. Na ocasião, também estavam presentes a juíza da 1ª VIJ, Rejane Suxberger, a juíza da Vara de Execução de Medidas Socioeducativas do Distrito Federal (VEMSE), La
Fonte original: Tribunal de Justiça do DF e Territórios (TJDFT)


