Na cúpula do Brics na Índia, Guterres diz que mundo "precisa de paz"
Sessão plenária na capital indiana, Nova Deli, juntou Guterres e líderes como o russo Vladimir Putin, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, e o príncipe herdeiro de Abu Dabi, Khaled bin Mohamed Al Nahyan.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, discursou neste domingo (13) sobre a necessidade de pôr fim aos conflitos mundiais. Ele se reuniu com líderes da Rússia, do Irã, dos Emirados Árabes Unidos e da China na cúpula dos Brics, que ocorre na Índia.
"De Gaza, passando pela crise mais ampla no Médio Oriente, até a Ucrânia, o Sudão e mais além, o nosso mundo precisa de paz", afirmou António Guterres.
A sessão plenária na capital indiana, Nova Deli, juntou Guterres e líderes como o russo Vladimir Putin, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, e o príncipe herdeiro de Abu Dabi, Khaled bin Mohamed Al Nahyan.
O Brics é formado por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã. Os 11 países representam 39% da economia mundial, 48,5% da população do planeta e 23% do comércio global.
As palavras de Guterres surgem após os membros terem assinado no sábado (12) uma declaração conjunta com 140 pontos, que dedicou vários capítulos à Gaza, à Palestina e ao Líbano e mencionou expressamente Israel, mas não incluiu qualquer referência à Ucrânia.
Em seu apelo, o português defendeu a liberdade de navegação internacional, o respeito pela integridade territorial e pela independência política dos Estados ao abrigo do direito internacional.
"À medida que avançamos de forma irreversível para um mundo multipolar, os países devem trabalhar para reforçar e salvaguardar um sistema multilateral que responda às necessidades de todos", acrescentou Guterres.
O líder da ONU voltou a exigir uma reforma abrangente do seu Conselho de Segurança e das instituições financeiras internacionais que, no seu entender, já não refletem a realidade do planeta, por terem sido criadas no âmbito de uma ordem hoje obsoleta.
"As realidades econômicas, demográficas e geopolíticas de hoje não são as de 1945 (...). Isto exige a reforma das instituições multilaterais, incluindo o Conselho de Segurança da ONU e o sistema de Bretton Woods, para refletir o mundo atual", acrescentou.
Neste mês de setembro, a assembleia-geral da ONU adotou um novo mapa-múndi, que corrige as distorções do tradicional mapa de Mercator. Guterres pediu que as instituições "façam o mesmo" diante de uma nova realidade de poderes.

