Mais duas pessoas são resgatadas com vida no Nepal neste sábado
Há dez dias, dezenas de socorristas nepaleses, auxiliados por especialistas da Índia, da China e da Coreia do Sul, escavam vários desses túneis em centrais hidrelétricas e estaleiros de barragens.

Dez dias depois das enxurradas no Nepal, mais duas pessoas foram resgatadas com vida. Uma mulher foi encontrada numa casa e um homem foi retirado de um túnel numa central hidrelétrica.
Nessa sexta-feira (4), nove dias após a catástrofe, dois homens foram resgatados sãos e salvos de um túnel do estaleiro de uma barragem. As autoridades nepalesas admitem que havia cerca de uma centena de trabalhadores bloqueados no túnel.
Há dez dias, dezenas de socorristas nepaleses, auxiliados por especialistas da Índia, da China e da Coreia do Sul, escavam vários desses túneis em centrais hidrelétricas e estaleiros de barragens, soterrados desde a cheia.
O mais recente relatório da Polícia do Nepal elevou o número de mortos em 39, enquanto o número de pessoas cujo paradeiro é desconhecido diminuiu ligeiramente em relação aos 4.898 registrados anteriormente.
Entre os desaparecidos estão pelo menos 606 cidadãos estrangeiros.
As operações, que mantêm cerca de 8 mil agentes mobilizados, permitiram, até o momento, prestar assistência a 8.962 pessoas.
Os trabalhos prosseguem com a esperança de encontrar mais sobreviventes, depois de, na sexta-feira, terem sido resgatados os dois trabalhadores que passaram dez dias presos num túnel da Central Hidrelétrica Trishuli 3A.
Um dos resgatados, Kabir Maharjan, encontra-se em estado crítico e recebe cuidados intensivos num hospital militar de Catmandu devido a hipotermia grave. O outro trabalhador, Sanjay Sah, mantém-se estável e relatou que, durante o seu confinamento, conseguiu se comunicar aos gritos com várias pessoas que estavam perto dele.
A identificação dos mortos continua a ser um dos maiores desafios logísticos. As autoridades informaram que, dos 1.344 corpos recuperados, entre os quais 85 menores, 1.270 aguardam identificação.Em meio à crise, os médicos legistas continuam a recolher amostras de DNA, já tendo acumulados 2.272 perfis genéticos de falecidos e familiares.
Por seu lado, no Tibete (China), região também atingida pelas inundações de 26 de agosto, as autoridades registram, em sua última atualização, 31 mortos e 531 pessoas desaparecidas.
As cheias repentinas, descritas pelos observadores locais como um dos piores desastres já ocorridos no Nepal, fizeram o nível da água do Rio Trishuli subir entre 15 e 18 metros acima do normal, destruindo povoados ao longo de 72 quilômetros de suas margens.
Causaram também danos significativos em centrais hidrelétricas e outras infraestruturas, além de terem destruído habitações, estradas e pontes em vários distritos.
Destruíram igualmente o posto fronteiriço de Rasuwagadhi-Kerung, na fronteira entre o Nepal e a China, rota essencial para o comércio bilateral, e afetaram dezenas de povoados.
A catástrofe foi desencadeada pelo desprendimento de uma massa de gelo e rochas da face norte de Langtang Lirung, o cume mais alto da cordilheira do Langtang Himal, uma subcordilheira dos Himalaias nepaleses, situado a sudoeste do pico de Shishapangma, a nordeste de Catmandu e a cinco km ao sul da fronteira com o Tibete.

