sexta-feira, dezembro 8, 2023
In√≠cio ¬Ľ Crise na ONU no conflito Hamas-Israel, saiba a dimens√£o da

Crise na ONU no conflito Hamas-Israel, saiba a dimens√£o da

Organiza√ß√£o tem vivido uma batalha de resolu√ß√Ķes e pedido pela ren√ļncia do secret√°rio-geral. Especialistas em seguran√ßa e media√ß√£o de conflitos avaliam ao ‚ÄėNexo‚Äô o atual momento das Na√ß√Ķes Unidas

por Ayrton Lemos
0 Coment√°rio

Israel¬†anunciou nesta quarta-feira (24/10) que vai negar vistos a representantes das¬†Na√ß√Ķes Unidas¬†ap√≥s as declara√ß√Ķes do secret√°rio-geral da ONU,¬†Ant√≥nio Guterres, perante o Conselho de Seguran√ßa do √≥rg√£o.

Em reuni√£o na ter√ßa-feira,¬†Guterres disse que o ataque do grupo terrorista¬†Hamas¬†de 7 de outubro “n√£o surge do nada, mas de 56 anos de ocupa√ß√£o”. Como rea√ß√£o, Israel pediu a ren√ļncia do dirigente.

O an√ļncio da recusa dos vistos foi feito pelo embaixador israelense na ONU, Gilad Erdan, que acrescentou que seu pa√≠s j√° come√ßou a adotar essa pol√≠tica, j√° tendo recusado um visto ao subsecret√°rio-geral da ONU para os Assuntos Humanit√°rios, Martin Griffiths.

“√Č hora de dar a eles uma li√ß√£o”, disse Erdan se referindo aos funcion√°rios da ONU, em entrevista √† r√°dio do Ex√©rcito israelense.

“Palestinos sofrem 56 anos de ocupa√ß√£o sufocante”

A pol√™mica eclodiu na ter√ßa-feira, quando Guterres “condenou inequivocamente os horr√≠veis e sem precedentes atos terroristas” do Hamas, embora tenha ressaltado que o que aconteceu tem suas ra√≠zes em longas d√©cadas de¬†conflito com os palestinos. “Os ataques do Hamas n√£o ocorrem no v√°cuo. O povo palestino foi sujeito a 56 anos de ocupa√ß√£o sufocante”, afirmou Guterres.

Ele tamb√©m disse que a popula√ß√£o palestina viu como “sua terra era devorada sem cessar pelos assentamentos e assolada pela viol√™ncia”.

A fala de Guterres foi proferida durante discurso em uma reunião especial do Conselho de Segurança sobre o conflito entre Israel e o Hamas, desencadeado pelo ataque do grupo militante em 7 de outubro. O atentado deixou pelo menos 1.400 israelenses mortos, e mais de 220 foram feitos reféns.

Em retalia√ß√£o, ataques a√©reos israelenses destru√≠ram grandes √°reas do enclave de Gaza, deixando pelo menos 6.500 palestinos mortos, incluindo mais de 2.700 crian√ßas, de acordo com o Minist√©rio da Sa√ļde de Gaza.

Nesta quarta-feira, Guterres destacou um trecho de seu discurso, em postagem na plataforma X (antigo Twitter): “As queixas do povo palestino n√£o podem justificar os horr√≠veis ataques do Hamas. Esses ataques horrendos n√£o podem justificar a puni√ß√£o coletiva do povo palestino.”

As declara√ß√Ķes do secret√°rio-geral da ONU provocaram rea√ß√£o de autoridades israelenses, que condenaram as palavras e pediram a sua ren√ļncia.

“Voc√™ n√£o tem vergonha?”, questionou o ministro das Rela√ß√Ķes Exteriores de Israel, Eli Cohen, que estava presente na sess√£o das Na√ß√Ķes Unidas e suspendeu uma reuni√£o planejada com Guterres.

Reação do presidente do Museu do Holocausto

A fala de Guterres tamb√©m foi criticada por Dani Dayan, presidente do Museu do Holocausto de Jerusal√©m, Yad Vashem, que argumentou que “o massacre de judeus pelo Hamas em 7 de outubro foi genocida nas suas inten√ß√Ķes e imensamente brutal na sua forma”.

“Parte da raz√£o pela qual difere do Holocausto √© porque os judeus hoje t√™m um Estado e um Ex√©rcito. N√£o estamos indefesos ou √† merc√™ de outros”, acrescentou o presidente do Yad Vashem.

Segundo Dayan, ap√≥s o ataque a Israel pelo grupo isl√Ęmico palestino, “se colocou √† prova a sinceridade dos l√≠deres mundiais, intelectuais e pessoas influentes” em n√≠vel internacional, como Guterres. Nesse contexto, o secret√°rio-geral da ONU “n√£o passou na prova”, segundo Dayan.

Depois dos massacres perpetrados pelo bra√ßo militar do Hamas em Israel h√° mais de duas semanas ‚Äď o ataque com maior n√ļmero de mortes na hist√≥ria do Estado judaico ‚Äď, o governo israelense comparou suas a√ß√Ķes √†s do “Estado Isl√Ęmico” (EI) ou ao genoc√≠dio nazista de milh√Ķes de judeus.

Israel tamb√©m declarou que as atrocidades cometidas pelo grupo isl√Ęmico foram o pior massacre contra judeus desde o Holocausto.

Críticas das famílias dos reféns israelenses

A fala foi tamb√©m alvo de cr√≠ticas de familiares dos ref√©ns do grupo isl√Ęmico Hamas, que a considerou “escandalosa”.

“Que vergonha dar legitimidade a crimes contra a humanidade quando se trata de judeus! As declara√ß√Ķes do secret√°rio-geral da ONU s√£o escandalosas!”, afirmou o grupo de fam√≠lias dos cerca de 220 sequestrados em comunicado.

“Crian√ßas foram queimadas vivas, mulheres foram violadas e civis foram torturados e assassinados a sangue frio. Tudo com o objetivo de aniquilar todos os israelenses e judeus na √°rea capturada pelo Hamas”, observaram as fam√≠lias.

Guterres diz que falas foram deturpadas

Nesta quarta-feira, Guterres se pronunciou sobre as cr√≠ticas aos seus coment√°rios da v√©spera, dizendo que precisava “esclarecer as coisas, especialmente por respeito √†s v√≠timas e suas fam√≠lias”. 

“Estou chocado com as deturpa√ß√Ķes feitas por alguns sobre minha declara√ß√£o ontem no Conselho de Seguran√ßa ‚Äď como se eu estivesse justificando os atos de terror do Hamas”, disse ele a jornalistas reunidos na sede da ONU em Nova York. “Isso √© falso. Foi o contr√°rio.”

O chefe das Na√ß√Ķes Unidas observou que, no dia anterior, condenou o ataque do Hamas a Israel e enfatizou que “nada pode justificar matar, ferir e sequestrar deliberadamente civis, ou lan√ßar foguetes contra alvos civis”.

Ele insistiu que falou, sim, “sobre as queixas do povo palestino” ‚Äď “mas ao fazer isso tamb√©m afirmei claramente, e cito: ‘As queixas do povo palestino n√£o podem justificar os terr√≠veis ataques do Hamas’. Fim de cita√ß√£o”.

Alemanha apoia chefe de ONU

Tamb√©m nesta quarta, o governo da Alemanha declarou que Guterres tem sua “confian√ßa” e que a exig√™ncia de Israel para que ele renuncie “n√£o √© apropriada”. 

“Temos que dar meio passo atr√°s. A situa√ß√£o est√° muito carregada, muito tensa. Estamos todos chocados e n√£o tenho a sensa√ß√£o de que os pedidos de ren√ļncia sejam apropriados”, disse Steffen Hebestreit, porta-voz do chanceler federal Olaf Scholz, em coletiva de imprensa em Berlim. 

Ele acrescentou que a Alemanha se mant√©m “inabalavelmente” ao lado de Israel, mas tamb√©m est√° fazendo esfor√ßos para “mediar”. 

“Vemos o que est√° acontecendo em Israel, o que est√° acontecendo em Gaza. Estamos tentando abrir janelas humanit√°rias para que os civis continuem a receber comida, √°gua”, disse o porta-voz. “Nesta situa√ß√£o, meu conselho seria que, em n√≠vel internacional e p√ļblico, n√£o devemos permitir-nos ficar divididos, mas sim enfrentar juntos um conflito muito complicado e delicado.”

você pode gostar

Deixe um coment√°rio

Portal de Notícias 

Saiu no DF, Saiu aqui.

Escolhas dos editores

Artigos Mais Recentes