s√°bado, dezembro 9, 2023
In√≠cio ¬Ľ Ap√≥s exame de DNA, professora descobre paternidade aos 36 anos

Após exame de DNA, professora descobre paternidade aos 36 anos

Defensoria P√ļblica do DF oferece o procedimento de forma gratuita

por Ayrton Lemos
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Aos 36 anos, a professora brasiliense Fernanda Cristine Martins dos Anjos Vieira, moradora de Samambaia, decidiu ir em busca de informa√ß√Ķes que revelassem a sua paternidade. Por meio de um exame de DNA feito gratuitamente pela unidade de atendimento itinerante da Defensoria P√ļblica do Distrito Federal (DPDF), ela conseguiu esclarecer uma d√ļvida que a deixou mais tranquila.

Fernanda, com os filhos gêmeos (no centro) e a família de seu pai biológico: encontro demorou mais de 30 anos | Foto: Acervo pessoal

Fernanda acreditava ser irm√£ biol√≥gica dos irm√£os com quem conviveu dos 3 aos 10 anos, mas, quando completou 9, sua m√£e biol√≥gica lhe informou que o pai n√£o era quem ela pensava ser. ‚ÄúFoi um misto de emo√ß√Ķes‚ÄĚ, lembra. ‚ÄúFui ao cart√≥rio fazer o registro do nascimento da minha irm√£ com meus pais e l√° descobri que n√£o era filha biol√≥gica dele‚ÄĚ.

Passaram-se os anos e Fernanda, que n√£o chegara a demonstrar interesse em descobrir quem era seu pai biol√≥gico, mudou de ideia. Em conversa com a m√£e, descobriu que seu pai verdadeiro n√£o quis assumir a paternidade. ‚ÄúDali em diante, comecei a pesquisar quem era, o que fazia e onde morava meu pai‚ÄĚ, conta. ‚ÄúQuando o homem abandona uma mulher gr√°vida, ele abandona uma gera√ß√£o inteira‚ÄĚ.

Busca nas redes

‚ÄúLocalizar o paradeiro da minha fam√≠lia paterna, mesmo ap√≥s o falecimento do meu pai, foi libertador‚ÄĚFernanda Martins dos Anjos Vieira, professora

A busca foi intensa. Fernanda pesquisou nas redes sociais informa√ß√Ķes sobre pessoas que moravam no Areal, onde sua m√£e residia na √©poca que engravidou. Ap√≥s muita investiga√ß√£o, encontrou uma foto que despertou sua curiosidade, pois citava o nome do suposto pai, R√īmulo.

Foi ent√£o que ela entrou em contato com a mulher que postou a imagem: ‚ÄúFoi uma conversa r√°pida e sincera. Vi que havia possibilidade de aquela pessoa fazer parte da minha fam√≠lia sem saber‚ÄĚ. Em comum acordo, as duas marcaram um teste de DNA em Samambaia, onde se encontrava a unidade m√≥vel de atendimento da DPDF, e confirmaram a suspeita. 

M√£e de g√™meos, Fernanda conta que ganhou uma nova fam√≠lia. ‚ÄúMeu pai biol√≥gico faleceu no ano em que meus filhos nasceram‚ÄĚ, conta. ‚ÄúLocalizar o paradeiro da minha fam√≠lia paterna, mesmo ap√≥s o falecimento do meu pai, foi libertador. Agrade√ßo imensamente √† DPDF por me proporcionar um momento t√£o especial na minha vida‚ÄĚ.

Para a subsecret√°ria de Atividade Psicossocial da DPDF, Roberta de √Āvila, os testes de DNA n√£o apenas identificam a paternidade, mas mudam realidades. ‚ÄúS√£o formas de assegurar direitos que impactam tamb√©m as leis de fato e as leis do cotidiano, bem como as rela√ß√Ķes, pois garantem tanto a cidadania quanto impactam outras condi√ß√Ķes estruturantes que, por sua vez, contribuem para o desenvolvimento saud√°vel das pessoas e de sociedades mais est√°veis emocionalmente‚ÄĚ, avalia.

Teste de DNA gratuito 

Por meio da Subsecretaria de Atividade Psicossocial (Suap), a DPDF  oferece exame de DNA gratuito para comprovar o v√≠nculo gen√©tico e a assinatura dos termos de acordo de reconhecimento de paternidade, de guarda, de visita e de pens√£o aliment√≠cia. O tempo estimado para a entrega do resultado √© de apenas 15 dias. No momento de revelar o que consta no exame, equipes da DPDF atuam intermediando o di√°logo entre a m√£e e o suposto pai. 

Desde 2003, quando o projeto come√ßou, foram registradas 1.152 solicita√ß√Ķes de testes de DNA, das quais 333 deram resultado positivo, 131 apresentaram conclus√£o negativa, oito foram inconclusivos e 120 n√£o evolu√≠ram por desist√™ncia de uma das partes.

Entre 1¬ļ de janeiro e 31 de julho de 2022, os cart√≥rios do Distrito Federal contabilizaram o nascimento de 27.089 beb√™s. Desse total, 1.606 foram registrados apenas em nome da m√£e. Isso representa 6% das crian√ßas nascidas no ano. Os dados revelam que, por m√™s, cerca de 230 rec√©m-nascidos no DF foram registrados sem o nome do pai, o que corresponde a, pelo menos, sete casos por dia.

Os n√ļmeros est√£o dispon√≠veis no Portal da Transpar√™ncia do Registro Civil, no m√≥dulo Pais Ausentes, que integra a plataforma nacional, administrada pela Associa√ß√£o Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil).

O reconhecimento de paternidade pode ser solicitado pela mãe da criança, pelo filho maior de 18 anos ou, ainda, pelo pai que desejar confirmar sua condição. Para isto, é preciso ir a qualquer cartório de registro civil e procurar pelo nome do suposto pai.

*Com informa√ß√Ķes da¬†Defensoria P√ļblica do Distrito Federal

Agência Brasília

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