domingo, dezembro 10, 2023
In√≠cio ¬Ľ Amea√ßas de ataques a escolas do DF chegou 1.147% em 2023

Ameaças de ataques a escolas do DF chegou 1.147% em 2023

Em 2023, o DF registrou 237 ameaças de ataques em escolas, representando um aumento de 1.147% com o ano passado inteiro

por Ricardo Souza
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Apenas nos quatro primeiros meses de 2023, o Distrito Federal registrou 237 amea√ßas de ataques a escolas. O n√ļmero representa um aumento de 1.147% em compara√ß√£o com o ano passado inteiro, quando houve 19 ocorr√™ncias relacionadas a atentados em institui√ß√Ķes de ensino.

Os dados, solicitados pelo Metr√≥poles, foram coletados do Sistema Polaris, da Pol√≠cia Civil do Distrito Federal (PCDF). No per√≠odo entre 2019 e 2023, foram registradas 280 ocorr√™ncias relacionadas a ataques em institui√ß√Ķes de ensino, sendo que 84,64% delas correspondem a este ano.

Somente o m√™s de abril de 2023 √© respons√°vel por 78.93% do total de amea√ßas a escolas nos √ļltimos cinco anos. De acordo com a PCDF, estudos apontam que o aumento de casos no m√™s tem rela√ß√£o com o massacre de Columbine, nos Estados Unidos, e o anivers√°rio do l√≠der nazista Adolf Hitler.

Com 38 ocorr√™ncias, o dia 10 de abril teve mais incid√™ncias do que os √ļltimos quatro anos juntos. No dia seguinte, foram 33 amea√ßas. Em 13 de abril, 28 registros.

Segundo o Ministro da Justi√ßa, Fl√°vio Dino, a data tem sido ‚Äúcarregada de anivers√°rio do inspirador dessa gente extremista, simbolismo, seja pela ocorr√™ncia desse terr√≠vel massacre nos Estados Unidos.‚ÄĚ

No DF, nenhuma ocorr√™ncia relacionada a ataques a escolas acabou em mortes. M√™s passado, a PCDF prendeu um aluno da Universidade de Bras√≠lia (UnB) e tamb√©m realizou apreens√Ķes de menores, no enfrentamento a estes supostos ataques.

Ameaças em anteriores

Os anos anteriores registram um n√ļmero bem menor de ocorr√™ncias do tipo, sendo 23 amea√ßas em 2019. Em 2020, n√£o houve casos, e s√≥ houve um registro em 2021.

Isso pode ser explicado, segundo a PCDF, porque houve o fechamento das escolas em todo o Brasil por conta da pandemia de Covid-19. Os dados desconsideraram as ocorrências duplicadas da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente e excluíram outros eventos como conflitos e brigas entre estudantes.

Regi√Ķes administrativas

Entre as regi√Ķes administrativas com maiores registros est√£o Taguatinga, sendo respons√°vel por 11,07% de todas as amea√ßas entre 2019 e 2023. Outras cidades com grande quantidades foram Bras√≠lia (10,36%); Gama (8,57%) e Ceil√Ęndia (8,21%).

Fatores psicológicos

O psic√≥logo Mauro Gleisson, pesquisador da interface dos fen√īmenos de juventude, escola e viol√™ncia, comenta que as escolas s√£o os alvos e elas encontram-se sozinha na vanguarda de enfrentamento dos fatores de risco √† sa√ļde mental.

Para o especialista, os responsáveis por este tipo de violência são símbolos de uma sociedade vivem em crise com a lei.

‚ÄúS√£o sujeitos com dificuldades de pertencimento, que encontram acolhimento e pertencimento nesses grupos de iguais: machos t√≥xicos, adoecidos e refor√ßados pelos discursos de √≥dio que ganharam express√£o em nosso pa√≠s nos √ļltimos anos‚ÄĚ.

O psic√≥logo explica que as amea√ßas propagam ‚Äúuma cultura do medo‚ÄĚ, que serve como pano de fundo para excessos. ‚ÄúTodos os sujeitos que estudei desses ataques t√™m uma clara necessidade de serem vistos e publicizados‚ÄĚ, diz Gleisson.

Causas

Professor da Faculdade de Direito da Universidade de Bras√≠lia (UnB) e especialista em seguran√ßa p√ļblica, Wellinton Caixeta diz que viol√™ncias perpetradas no ambiente escolar t√™m m√ļltiplas causas e, geralmente, evidenciam a continuidade de outras viol√™ncias sofridas pelos atores escolares em outros espa√ßos e √Ęmbitos da vida p√ļblica e privada.

‚ÄúA onda de amea√ßa de ataques contra escolas pode tamb√©m ser um continuum dos conflitos acontecidos na escola e, muitas vezes, protagonizados pela escola e seus agentes institucionais, ou seja, em um seio escolar no qual a agress√£o e a linguagem do √≥dio e da intoler√Ęncia se tornaram c√≥digo de sociabilidade violenta compartilhado‚ÄĚ, explica Caixeta.

Para o especialista, √© fundamental construir uma associa√ß√£o entre escola, fam√≠lias e governo para fortalecer pol√≠ticas de seguran√ßa p√ļblica escolar e construir redes de prote√ß√£o da comunidade escolar. O professor comenta que a imprensa deve evitar tamb√©m a a√ß√£o de criminosos.

No Distrito Federal, o pesquisador ressalta que temos o primeiro Batalh√£o de Policiamento Escolar criado no pa√≠s. ‚ÄúIniciativas como essa devem assumir destaque e ser amplamente divulgada, at√© mesmo como forma de exerc√≠cio da transpar√™ncia e do controle externo da atividade policial‚ÄĚ, indica.

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