domingo, dezembro 10, 2023
In√≠cio ¬Ľ Defasagem nos estudos pela pandemia pode ser recuperada, diz pesquisa

Defasagem nos estudos pela pandemia pode ser recuperada, diz pesquisa

Pesquisa comparou ritmo de aprendizagem pré, pós e durante pandemia

por Ricardo Souza
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Crianças que frequentaram o segundo ano da pré-escola em 2020, com nove meses de atividades remotas devido à pandemia de covid-19, tiveram perda de 6 a 7 meses de aprendizagem em linguagem e matemática se comparadas àquelas que vivenciaram o mesmo período da pré-escola em 2019, com ensino presencial.

O dado sobre o ritmo de aprendizagem das crianças antes, durante e depois da pandemia mostra ainda que aquelas que frequentaram o segundo ano da pré-escola em 2022, com a volta das atividades presenciais, tiveram ganho de 1 a 2 meses, na comparação com os alunos do mesmo período letivo em 2019.

As informa√ß√Ķes s√£o do estudo Recomposi√ß√£o das aprendizagens e desigualdades educacionais ap√≥s a pandemia covid-19: um estudo em Sobral/CE, produzido por pesquisadores do Laborat√≥rio de Pesquisa em Oportunidades Educacionais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (LaPOpE).

Embora os dois grupos de crian√ßas (2020 e 2022) tenham vivido ao menos parte da pr√©-escola com ensino remoto, os resultados sugerem que as a√ß√Ķes realizadas pela rede de ensino para mitigar os impactos da pandemia surtiram efeito nas crian√ßas que conclu√≠ram a etapa em 2022.

Apoiada pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, a pesquisa estimou os efeitos da pandemia no curto e médio prazo e traz evidências inéditas sobre a recuperação do aprendizado, com destaque para a qualidade da educação ofertada.

Para chegar aos resultados, o estudo acompanhou o desenvolvimento de 1.364 crian√ßas matriculadas na rede p√ļblica municipal de Sobral (CE), que frequentaram o segundo ano da pr√©-escola entre 2019 e 2022.

A pesquisa observou que o grupo de crian√ßas que vivenciou o segundo ano da pr√©-escola em 2020 ‚Äď com maior per√≠odo remotamente ‚Äď aprendeu o equivalente a 39% em linguagem e 48% em matem√°tica, se comparado √†quele que frequentou esta etapa em 2019, de modo presencial. J√° o grupo que terminou a pr√©-escola em 2022 aprendeu o equivalente a 111% em linguagem e 115% em matem√°tica, na compara√ß√£o com o grupo que frequentou o segundo ano da etapa em 2019.

De acordo com os pesquisadores, os resultados mostram os efeitos da reabertura das escolas sobre os ritmos de aprendizagem. As crianças do grupo de 2020, por exemplo, que vivenciaram o primeiro ano da pré-escola presencialmente, sofreram com a interrupção das atividades presenciais e a oferta remota na conclusão da etapa educacional.

Segundo Mariane Koslinski, pesquisadora do LaPOpE e uma das respons√°veis pelo estudo, as incertezas da pandemia, as interrup√ß√Ķes nas atividades, presenciais ou n√£o, e todo o per√≠odo de adapta√ß√£o ao modelo remoto impactaram diretamente no ritmo de aprendizagem dessas crian√ßas, que tiveram aprendizagem aqu√©m daquelas que conclu√≠ram a etapa em 2019.

A pesquisadora destacou, no entanto, que a recupera√ß√£o do ritmo de aprendizagem das crian√ßas que conclu√≠ram a educa√ß√£o infantil em 2022 chama ainda mais aten√ß√£o. ‚Äú√Č curioso porque, como as crian√ßas do grupo de 2020, as do ano passado tamb√©m viveram parte da etapa no regime remoto‚ÄĚ, disse Mariane, em nota.

‚ÄúO que os resultados indicam √© que, provavelmente, as a√ß√Ķes da rede de educa√ß√£o de Sobral foram importantes para mitigar os efeitos da pandemia e acelerar o ritmo de desenvolvimento dessas crian√ßas‚ÄĚ, completou.

Entre as a√ß√Ķes, a pesquisadora destacou programas de busca ativa, amplia√ß√£o da oferta de tempo integral e a implementa√ß√£o de novo curr√≠culo para a Educa√ß√£o Infantil alinhado √†Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

Os pesquisadores refor√ßam ainda que os resultados do estudo n√£o devem ser interpretados como um retrato do que aconteceu no resto do pa√≠s. ‚ÄúA aus√™ncia de coordena√ß√£o nacional nos anos de pandemia gerou um cen√°rio extremamente desafiador para os gestores municipais e as respostas para os desafios da pandemia foram muito desiguais e inconsistentes quando comparamos estados e munic√≠pios pelo pa√≠s‚ÄĚ.

Para a gerente de Conhecimento Aplicado e especialista em educa√ß√£o infantil da Funda√ß√£o Maria Cecilia Souto Vidigal, Beatriz Abuchaim, o desafio neste momento ultrapassa as esferas educacionais. ‚ÄúDiversas evid√™ncias mostram que a pandemia afetou desigualmente as fam√≠lias em quest√£o de renda, acesso a servi√ßos e a redes de apoio. Tudo isso trouxe impactos para o desenvolvimento e aprendizagem das crian√ßas‚ÄĚ, afirmou Beatriz, em nota.

‚ÄúNesse sentido, as a√ß√Ķes devem ser integradas e contemplar diversas esferas e n√≠veis de governo. A responsabilidade por montar essa estrat√©gia n√£o pode ser s√≥ da √°rea de educa√ß√£o‚ÄĚ, acrescentou.

Recomenda√ß√Ķes

Os pesquisadores apresentam uma s√©rie de recomenda√ß√Ķes para os gestores de diferentes n√≠veis a fim de mitigar os problemas apontados. Para o Minist√©rio da Educa√ß√£o √© recomendado que haja um protagonismo na elabora√ß√£o de um plano nacional de recupera√ß√£o de aprendizagem com aporte de recursos e apoio t√©cnico para guiar as a√ß√Ķes das secretarias estaduais e municipais de educa√ß√£o.

Já as secretarias estaduais de educação devem, entre outros pontos, oferecer apoio técnico e financeiro para que os municípios elaborem e implementem suas estratégias. As secretarias municipais de educação, por sua vez, devem implementar programas de busca ativa de crianças com foco na educação infantil e elaborar diagnósticos sobre os efeitos da pandemia no desenvolvimento das crianças e nas taxas de abandono e evasão escolar.

Os diretores e professores podem promover maior integração entre famílias e escolas incorporando estratégias bem-sucedidas de comunicação com famílias utilizadas durante a pandemia.

Fonte: Agência Brasil.

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