domingo, dezembro 10, 2023
In√≠cio ¬Ľ Dia Mundial da √Āgua: Cerrado pode perder quase 34% da √°gua at√© 2050

Dia Mundial da √Āgua: Cerrado pode perder quase 34% da √°gua at√© 2050

Cenário considera impacto do ritmo de exploração agropecuária no bioma

por Marcela Alves
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O Cerrado pode perder 33,9% dos fluxos dos rios at√© 2050, caso o ritmo da explora√ß√£o agropecu√°ria permane√ßa com os n√≠veis atuais. Diante da situa√ß√£o, autoridades e especialistas devem dedicar a mesma aten√ß√£o que reservam √† Amaz√īnia, uma vez que um bioma inexiste sem o outro. O alerta para situa√ß√£o √© do fundador e diretor executivo do Instituto Cerrados, Yuri Botelho Salmona. Nesta ter√ßa-feira (22), √© celebrado o Dia Mundial da √Āgua, institu√≠do pela Organiza√ß√£o das Na√ß√Ķes Unidas (ONU).

Salmona mensurou o efeito da apropriação da terra para monoculturas e pasto, que resultou em artigo publicado na revista científica internacional Sustainability. A pesquisa contou com o apoio do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN).

Ao todo, foram analisadas 81 bacias hidrográficas do Cerrado, no período entre 1985 e 2022. Segundo o levantamento, a diminuição da vazão foi constatada em 88% delas em virtude do avanço da agropecuária.

A pesquisa indica que o cultivo de soja, milho e algodão, assim como a pecuária, têm influenciado o ciclo hidrológico. O estudo também evidencia que mudanças do uso do solo provocam a redução da água em 56% dos casos. O restante (44%) está associado a mudanças climáticas.

“Quando eu falo de mudan√ßa de uso de solo, a gente est√°, no final das contas, falando de desmatamento e o que voc√™ coloca em cima, depois que voc√™ desmata”, disse Saloma, em entrevista √† Ag√™ncia Brasil. Segundo o pesquisador, o oeste da Bahia √© um dos locais onde o cen√°rio tem mais se agravado.

Quanto às consequências climáticas, o pesquisador explica que se acentua a chamada evapotranspiração potencial. Salmona explicou ainda que esse é o estudo com maior amplitude já realizado sobre os rios do Cerrado.

“O que est√° aumentando √© a radia√ß√£o solar. Est√° ficando mais quente. Voc√™ tem mais incid√™ncia, est√° ficando mais quente e voc√™ tem maior evapora√ß√£o do vapor, da √°gua, e √© a√≠ em que a mudan√ßa clim√°tica est√° atuando, muito claramente, de forma generalizada, no Cerrado. Em algumas regi√Ķes, mais fortes, como o Maranh√£o, Piau√≠ e o oeste da Bahia, mas √© geral”, detalhou.

Chuvas

Outro fator que tem sofrido altera√ß√Ķes √© o padr√£o de chuvas. Conforme enfatizou Salmona, o que se observa n√£o √© necessariamente um menor n√≠vel pluviom√©trico.

“A gente viu que lugares onde est√° chovendo menos n√£o √© a regra, √© a exce√ß√£o. O que est√° acontecendo muito √© a diminui√ß√£o dos per√≠odos de chuva. O mesmo volume de √°gua que antes ca√≠a em quatro, cinco meses est√° caindo em dois, tr√™s. Com isso, voc√™ tem uma menor capacidade de filtrar essa √°gua para um solo profundo e ele ficar dispon√≠vel em um per√≠odo seco”, comentou.

Uma das raz√Ķes que explica o efeito de rea√ß√£o em cadeia ao se desmatar o cerrado est√° no fato de que a vegeta√ß√£o do bioma tem ra√≠zes que se parecem com buchas de banho, ou seja, capazes de armazenar √°gua. √Č isso que permite, nos meses de estiagem, que a √°gua retida no solo vaze pelos rios. Segundo o pesquisador, em torno de 80% a 90% da √°gua dos rios do bioma tem como origem a √°gua subterr√Ęnea.

Fonte: Agência Brasíl.

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