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Ele reconheceu o erro e abriu caminho para a mudança

por VL —

Ele reconheceu o erro e abriu caminho para a mudança
Imagem ilustrativa

por VL —

publicado 03/09/2026

No último episódio da série Histórias reais: Justiça que faz, especial Agosto Lilás, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) apresenta relatos sob uma nova perspectiva: a do agressor. Aquele que precisou encarar os próprios atos, refletir sobre as consequências de suas escolhas e compreender que mudar exige mais do que arrependimento: requer responsabilização, aprendizado e disposição para abandonar antigos comportamentos.  Olhar para esse outro lado não significa justificar a violência, relativizar seus efeitos ou retirar da mulher o lugar de proteção e acolhimento que lhe é devido. Significa reconhecer que o enfrentamento à violência de gênero também passa pela transformação de quem a pratica. Para interromper o ciclo, é necessário criar espaços, nos quais os autores possam questionar suas crenças, rever suas atitudes e assumir a responsabilidade pelos danos provocados.   Grupo Reflexivo de Homens   Foi com esse propósito que o Programa Grupo Reflexivo de Homens, da Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar da Justiça do Distrito Federal (CMVDDF), iniciou suas atividades, em abril de 2016. A iniciativa atende à recomendação da Lei Maria da Penha de criação de espaços de educação e reabilitação destinados aos autores de violência contra a mulher.   A importância do trabalho está, segundo a assistente social e facilitadora do grupo, Luana Nascimento, em alcançar o cerne da violência de gênero: a desigualdade de poder entre homens e mulheres.   Face a face com o problema   “Foi importante para fazer uma autoanálise e aprender a me colocar no lugar do outro”, revelou um dos participantes do encontro. No início, muitos homens chegam ao programa com discurso que naturaliza ou justifica a violência e, por vezes, atribuem à vítima a responsabilidade pela agressão.   No entanto, Luana explica que essas falas são discutidas criticamente no grupo. “Os homens são ouvidos e podem apresentar suas visões de mundo, para que sejam refletidas de forma conjunta”, afirma a asistente social.   O percurso começa pelo acolhimento e avança por temas como masculinidades, sistema de crenças, gênero e violência contra a mulher, habilidades relacionais, Lei Maria da Penha e autorresponsabilização. Também há espaço para temas livres, definidos a partir das questões que surgem durante os diálogos.   “A prática aborda diferentes temas que se relacionam, sempre com foco nas questões de gênero e na responsabilização”, explica Víctor Couto, psicólogo clínico que atua há três anos no programa. Segundo ele, os debates proporcionam momentos de reflexão e contribuem para a prevenção de novas ocorrências.  

Comportamentos que se perpetuam   As experiências compartilhadas também ocupam um lugar importante nesse caminho. Ao ouvir os relatos de outros integrantes, os homens percebem que determinados comportamentos não são episódios isolados e individuais, tampouco provém de alguma patologia. Eles estão associados a construções sociais, crenças e modelos de masculinidade aprendidos e reproduzidos ao longo da vida.   É justamente por isso, explica Luana, que o trabalho acontece coletivamente. A violência de gênero deriva de um contexto social. No grupo, torna-se mais fácil identificar padrões, reconhecer desigualdades e compreender de que maneira o machismo estrutural pode ser prejudicial às mulheres, aos próprios homens, às pessoas que convivem com eles e à sociedade.   Início da mudança    "No decorrer dos encontros, fui conhecendo um pouco as histórias e os relatos dos outros integrantes. Isso me fez refletir mais sobre o que aconteceu comigo, ter mais autocuidado e aprender a ouvir e a falar. Passei a ler mais, praticar atividades físicas, deixei de ingerir bebida alcoólica e criei novos hábitos. Com o grupo, aprendi muito.”   A mudança de mentalidade, contudo, não ocorre de forma imediata e nem se encerra com o último encontro. Trata-se de uma construção contínua. O grupo apresenta aos participantes novas perspectivas e um paradigma diferente daquele sustentado por relações de poder, controle e desigualdade. A partir daí, cabe a cada homem incorporar as reflexões à vida cotidiana e estabelecer formas mais respeitosas de comunicação e convivência.   Ao final do ciclo, o que permanece não é apenas o conteúdo debatido, mas a percepção de que pedir e aceitar ajuda também fazem parte do processo de mudança. “Saio daqui com o desejo profundo de arrependimento pelos fatos vivenciados no passado. Ouvindo a todos com muita atenção, percebo que todos nós precisamos de ajuda, em algum momento da vida. Vocês, profissionais e seres humanos, nos fizeram melhores.”   A declaração não apaga o que aconteceu nem desfaz os danos causados, mas aponta para uma possibilidade indispensável ao enfrentamento da violência doméstica: a de que reconhecer o erro é o primeiro passo para interromper a repetição.  Você respeita as mulheres? Acesse questionário elaborado pela Coordenadoria da Mulher do TJDFT e descubra.  CMVDDF  A Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar da Justiça do Distrito Federal (CMVDDF) é uma unidade especializada do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) que oferece apoio às mulheres em situação de violência doméstica e familiar.  A CMVDDF atua por meio de uma abordagem com perspectiva de gênero, a fim de assegurar que cada caso seja tratado de forma eficiente e humanizada. Além disso, realiza campanhas educativas e articula a rede de proteção a fim de garantir a segurança e o bem-estar das mulheres. Para mais informações, acesse a página da CMVDDF. Lá, existe uma página exclusiva para você, homem.  Ouvidoria para Elas   O TJDFT disponibiliza ainda o Ouvidoria para Elas, um canal seguro, sensível e especializado voltado para o acolhimento, orientação e encaminhamento de mulheres em situação de violência, discriminação ou qualquer violação de direitos. Saiba como acessar o serviço.  A in

Fonte original: Tribunal de Justiça do DF e Territórios (TJDFT)

Fontes consultadas

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