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Acessibilidade e inclusão: enxergar além do que os olhos podem ver

por SECOM —

Acessibilidade e inclusão: enxergar além do que os olhos podem ver
Imagem ilustrativa

por SECOM —

publicado 21/09/2026

Uma imagem inserida em um documento, uma apresentação durante uma reunião, um sistema desenvolvido para uso de centenas de pessoas, uma atividade distribuída entre colegas de uma equipe. Situações comuns no trabalho podem parecer simples, mas também podem facilitar ou dificultar a participação de alguém. Você já parou para pensar que a acessibilidade não é responsabilidade apenas das pessoas com deficiência ou das áreas especializadas? Ela também passa pelas decisões que todos nós tomamos no dia a dia. Ernandes Alves Feitosa conhece bem essa relação. Analista judiciário do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) há 14 anos, ele atua no gabinete da desembargadora Selma Sauerbronn, onde trabalha na elaboração de votos cíveis. Cego, utiliza um leitor de telas para acessar sistemas, documentos e informações digitais. Quando um documento está bem estruturado, os botões de um sistema estão identificados e as imagens possuem descrição, a tecnologia permite que Ernandes desenvolva suas atividades com autonomia. Quando esses elementos não são considerados, surgem barreiras para ele e para outros servidores com deficiência – barreiras que poderiam ter sido evitadas desde o planejamento. “Acessibilidade digital precisa ser pensada desde a concepção dos sistemas, e não apenas como uma adaptação posterior”, avalia Ernandes. Mas nem toda barreira está em uma escada, em um sistema ou em um documento. Algumas aparecem nas relações do dia a dia. Presumir que um colega com deficiência não conseguirá realizar determinada tarefa, deixar de convidá-lo para uma atividade ou fazer algo por ele sem perguntar são atitudes que também podem limitar sua participação. Ernandes lembra que oferecer apoio é diferente de decidir pelo outro. “Eu prefiro que as pessoas perguntem. Se eu precisar, vou dizer como podem ajudar”, afirma. A mudança parece pequena, mas transforma a relação: em vez de partir de uma incapacidade presumida, parte-se da autonomia. E isso diz respeito a todos nós. Quem organiza uma reunião, produz um documento, desenvolve um sistema, distribui atividades ou lidera uma equipe também participa da construção de um ambiente acessível. Quando o ambiente amplia possibilidades A trajetória de Ernandes ajuda a questionar expectativas reduzidas em relação às pessoas com deficiência e mostra o que pode mudar quando a acessibilidade passa a fazer parte das relações e dos ambientes. Graduado em Direito e Administração, pós-graduado em três áreas do Direito e atualmente mestrando em Direito Internacional, ele trabalha, estuda, é pai e pratica jiu-jítsu. Aos 49 anos, é faixa marrom de segundo grau. Mas sua história com o esporte quase não começou. Em 2019, Ernandes procurou uma escola de jiu-jítsu e teve sua matrícula recusada porque o local não tinha experiência com alunos cegos. Em outra academia, encontrou resposta diferente: o professor aceitou descobrir, junto com ele, como tornar a prática possível. Ernandes treina no local há sete anos. A deficiência era a mesma nas duas situações. O que mudou foi a resposta das pessoas e do ambiente diante dela. No ambiente de trabalho, essa lógica também se aplica. Acessibilidade não depende apenas de atitudes individuais. Para que ela faça parte do cotidiano, é necessário que a instituição ofereça recursos, elimine barreiras e crie condições para que diferentes pessoas possam participar com autonomia. Acessibilidade também se constrói institucionalmente No TJDFT, recursos de tecnologia assistiva, apoio técnico, interpretação em Libras e soluções de acessibilidade digital são algumas das iniciativas voltadas à construção de um ambiente de trabalho e de prestação jurisdicional mais acessível. Tecnologia assistiva é o conjunto de recursos, equipamentos, serviços e estratégias que ampliam a autonomia, a independência e a participação das pessoas com deficiência, contribuindo para eliminar barreiras e promover igualdade de oportunidades. Entre as iniciativas existentes está o Programa de Inclusão Tecnológica para Pessoas com Deficiência, que prevê a disponibilização de 50 licenças do Microsoft 365 Copilot para servidores com deficiência. A ferramenta pode, por exemplo, reduzir a necessidade de digitação para pessoas com limitação motora, sintetizar grandes volumes de texto, recuperar conteúdos de reuniões e apoiar a organização e localização de informações. O Tribunal também disponibiliza serviço de interpretação e tradução simultânea em Libras para audiências, sessões de julgamento, eventos, reuniões, atendimentos, cursos e outras atividades institucionais. O recurso pode ser solicitado ao Núcleo de Inclusão e Acessibilidade (Nuinc), com antecedência de 72 horas, por meio de formulário. A acessibilidade também está presente no ambiente digital. O site do TJDFT segue padrões de acessibilidade e conta com a ferramenta Rybená, que oferece recursos como tradução para Libras por avatar virtual, leitura de textos por voz, ajustes de fonte, contraste e espaçamento e navegação por teclado. São recursos importantes. Mas eles ganham ainda mais força quando a acessibilidade deixa de ser vista apenas como uma solução acionada diante de uma necessidade específica e passa a integrar a forma como planejamos, comunicamos, trabalhamos e nos relacionamos. Responsabilidade compartilhada Celebrado em 21 de setembro, o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência é uma oportunidade para lembrar direitos conquistados e refletir sobre as barreiras que ainda permanecem. Talvez uma pergunta importante para a data não seja apenas “do que uma pessoa com deficiência precisa?”, mas também “o que podemos fazer, em nosso trabalho, para que todas as pessoas possam participar?”. Essa mudança de perspectiva ajuda a compreender que a inclusão não começa somente quando alguém solicita uma adaptação. Ela começa antes: quando acessibilidade, autonomia e participação passam a fazer parte da maneira como planejamos nossas atividades, nos relacionamo

Fonte original: Tribunal de Justiça do DF e Territórios (TJDFT)

Fontes consultadas

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