Letramento racial ajuda a fortalecer o combate ao racismo religioso
Promovida pela Secretaria de Justiça e Cidadania, formação reúne cerca de 100 participantes e aborda formas de identificar situações de discriminação

Reconhecer as diferentes manifestações do racismo religioso, compreender suas consequências e saber como agir diante de situações de discriminação são alguns dos desafios enfrentados pelos profissionais que atuam na proteção dos direitos fundamentais. Com esse propósito, o Conselho Distrital de Promoção da Igualdade Racial (Codipir), vinculado à Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus-DF), promoveu, na manhã desta quinta-feira (5), o curso Letramento Racial: Racismo Religioso.
Realizada na sede do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), a formação reuniu cerca de 100 participantes e foi aberta ao público interno e externo. A iniciativa contou com a parceria do Núcleo de Enfrentamento à Discriminação (NED) e da Secretaria de Educação e Desenvolvimento Corporativo (Secor), ambos do MPDFT, e integrou o projeto Letrar para Transformar.
A capacitação foi conduzida pelo advogado e pesquisador Hédio Silva Junior, doutor em direito constitucional e uma das principais referências nacionais no enfrentamento à discriminação racial e religiosa. Durante o encontro, os participantes puderam esclarecer dúvidas, conhecer situações que caracterizam o racismo religioso, identificar suas diferentes manifestações e discutir estratégias para o enfrentamento dessas violações.
Com ampla atuação acadêmica e institucional, Hédio participou da elaboração do documento brasileiro apresentado à Conferência Mundial contra o Racismo da Organização das Nações Unidas (ONU) e atuou como consultor de organismos internacionais, como Unesco, Unicef e Organização Internacional do Trabalho (OIT). “Quando uma instituição estratégica como o Ministério Público pauta esse tema, sinaliza que ele é relevante e movimenta esforços na direção da promoção da diversidade”, enfatizou o pesquisador.
Qualificação do atendimento
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A formação também busca qualificar o atendimento prestado à população nos diferentes serviços públicos, evitando situações de revitimização. Cyntia Cristina de Carvalho e Silva, delegada-chefe adjunta da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa ou por Orientação Sexual ou Contra a Pessoa Idosa ou com Deficiência (Decrin), da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), lembrou que os servidores precisam estar preparados para identificar situações de racismo religioso e respeitar a diversidade de crenças. “Uma pessoa discriminada precisa ser recebida por um profissional qualificado, que saiba identificar o que é racismo e garantir que ela seja acolhida nos serviços públicos”, frisou.
O promotor de Justiça, João Antônio Sá Lima, também destacou a importância do conhecimento para aprimorar a atuação dos profissionais responsáveis pela defesa de direitos e pela aplicação da justiça. Segundo ele, compreender as particularidades do racismo religioso contribui para decisões mais qualificadas e para uma sociedade mais tolerante. “Esse aprendizado é uma ferramenta para compreender melhor os fatos e atuar melhor, seja como promotor, advogado, servidor ou cidadão”, resumiu.
Educação transformadora
A importância da educação no enfrentamento à intolerância religiosa também foi ressaltada pelo babá (líder espiritual) Aurélio de Odé, integrante do Codipir. Ele lembrou que comunidades tradicionais de matriz africana ainda enfrentam episódios de violência e desrespeito, como ataques a terreiros, agressões físicas e discriminação contra crianças que utilizam símbolos e vestimentas religiosas em ambientes escolares. “O racismo religioso precisa ser combatido por meio da educação, preparando as crianças de hoje para serem adultos que respeitem a diversidade”, declarou.


